A acne não depende apenas dos cuidados de pele. Em muitos casos, também pode estar relacionada com fatores internos, incluindo a alimentação. Embora não exista um alimento que, por si só, explique todos os casos de acne, a evidência científica sugere que determinados padrões alimentares podem influenciar a inflamação, a produção de sebo e alguns mecanismos hormonais envolvidos no seu agravamento.
Perceber esta ligação é importante porque permite olhar para a acne de forma mais completa. Em vez de focar apenas a pele, faz sentido perceber o que pode estar a contribuir para o problema.
Sim, pode. A relação entre acne e alimentação não é igual em todas as pessoas, mas tem sido cada vez mais estudada. Sabe-se que uma alimentação rica em açúcares, farinhas refinadas e produtos ultraprocessados pode favorecer picos de glicose e de insulina. Este processo pode estimular a produção de sebo e criar um ambiente mais inflamatório, o que pode refletir-se na pele.
Mais do que olhar para um alimento isolado, o mais importante é avaliar o padrão alimentar como um todo.
Os alimentos com elevado índice glicémico são dos mais associados ao agravamento da acne. Aqui incluem-se produtos como bolos, bolachas, cereais açucarados, pão branco, refrigerantes e outros alimentos ultraprocessados. Quando consumidos com frequência, podem contribuir para oscilações metabólicas que favorecem o aparecimento ou agravamento das lesões.
Os lacticínios, sobretudo o leite, também têm sido apontados em alguns estudos como um possível fator de agravamento em determinadas pessoas. No entanto, esta relação não é universal. Há pessoas que notam diferenças claras quando reduzem o consumo, enquanto noutras isso não acontece. Por isso, a observação individual continua a ser essencial.
Uma alimentação mais equilibrada, baseada em alimentos simples e pouco processados, pode ajudar a criar um contexto menos inflamatório no organismo. Em vez de procurar soluções rápidas, o mais útil costuma ser construir uma base alimentar mais estável e consistente.
Alguns exemplos de alimentos que podem ser bons aliados incluem:
Estes alimentos fornecem nutrientes importantes para o organismo, incluindo:
Na prática, estes nutrientes podem ajudar a modular a inflamação e a promover maior equilíbrio, o que também pode refletir-se na pele.

Pequenas mudanças podem fazer diferença. Por exemplo, em vez de um pequeno-almoço com cereais açucarados e leite achocolatado, pode optar por:
Esta troca simples ajuda a reduzir a carga glicémica da refeição e melhora a sua qualidade nutricional.
A acne é multifatorial. Além da alimentação, também podem influenciar fatores como o stress, a qualidade do sono, as alterações hormonais, a saúde intestinal e os cuidados de pele. Por isso, quando a acne é persistente ou mais intensa, é importante não procurar uma explicação única.
Uma abordagem integrada tende a ser mais útil. Em muitos casos, ajustar a alimentação pode ajudar, mas os melhores resultados surgem quando se olha para o contexto completo.
A ligação entre acne e alimentação existe, mas não é igual para toda a gente. Certos padrões alimentares podem contribuir para o agravamento da pele, enquanto uma alimentação mais equilibrada pode ajudar a promover maior estabilidade e menos inflamação.
Mais do que eliminar alimentos sem critério, o ideal é observar padrões, perceber como o corpo reage e fazer ajustes de forma consistente e sustentável. Com orientação adequada, torna-se mais fácil identificar o que faz sentido no seu caso e encontrar estratégias mais ajustadas às suas necessidades.
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